Série Educar e Educar

I – Boneca Abandonada
Opa! Opa!… Essa Boneca não tem roupa!
Essa exclamação me lembra o vovô César Pozza, o homem dos acordeons Pozza e meu sogro, brincando com seus netos. Lembra-me a alegria ruidosa das crianças e o sorriso feliz estampado nos lábios e nas faces do vovô…
César Pozza era o artista dos sons, não só a afinar as palhetas dos acordeons e ao executar tantas peças musicais; porém, acima de tudo, tenho saudade.
Como o vovô César possui visão limitada, suas brincadeiras com os netos vêem ilustradas e recheadas de onomatopéias e rimas divertidas.

Todavia, a frase mais viva em minha memória é: “Opa! Opa”… essa boneca não tem roupa!?…”
E a criançada, especialmente nos dias frios de inverno, demonstrava entusiasmo e pressa para vestir e agasalhar a boneca…
Agora, boneca abandonada e desprotegida, está aqui à minha frente, sem roupa e sem um braço… Vendo você assim, boneca deficiente e sem roupa, desperta em mim um mundo de idéias, inúmeros filmes imaginários…
Quantas crianças abandonadas, violentadas, estupradas e mortas, mundo afora, por esses Brasis, por essas Américas, Europas, Ásias e Áfricas… e as autoridades, cinicamente declaram-se impotentes, diante dos dramas e tragédias – que “de gregas só têm o nome”…
Lembro-me das meninas dos anos 40 ao 60, brincando com boneca de pano, as bruxinhas…ou com bonecas e bonecos de plástico, que as mães ou irmãs mais velhas ajudavam a vestir, ajeitando ou fabricando roupas, sempre com muita alegria e imaginando os cuidados que precisaria ter com seus filhinhos, quando ficassem grandes e tivessem seus próprios filhos…
E eram as mesmas meninas e moçoilas que cuidavam de seus irmãozinhos menores, como se fossem bonecas. A fantasia se mistura com a realidade e a realidade se mistura com a fantasia, enquanto germina no coração das meninas e dos meninos, das mocinhas e dos rapazes a alegria de viver e fazer despertar o senso de maternidade e de paternidade, de responsabilidade familiar.
O encanto maior era receber, como presente de Natal, uma boneca que, ao deitar, fecha os olhos e ao ficar sentada ou de pé, os olhos da boneca se abrem. Quando os olhos da boneca se abrem semeiam magia, encanto e alegria, fecundando o coração dos futuros cidadãos. Também distribuem respeito e a admiração pela vida dos seres mais frágeis. É a autêntica e natural festa da vida e pela vida.
– Quem é você, que desfila elegância com ar de superioridade e esnobismo?
E dou-me conta que é a boneca urbanizada, a Barbi, a boneca que, junto com suas colegas que caminham, falam e cantam, começam a mudar a formação das meninas e das novas gerações, a partir dos anos 70.
 A Barbi anuncia a chegada da mulher profissional e da madame que não mais se ocupa com filhos e ignora a vida do lar. A rainha do lar é aposentada ou ridicularizada. Nas escolas deixa-se de decorar poemas em homenagem à mãe. E o grosso volume “Evangelho das Mães” de Germano de Novais, parece ridículo na estante da Biblioteca…
Cuidar da vida humana perdeu a poesia e o encanto; as escolas são invadidas por bestas selvagens ou por robôs armados que atiram contra alunos, professores…
Durante décadas os robôs humanos foram programados, pelos vídeos-game, feitos para matar e somar números que propõe a ilusão do vencer e do ganhar.
II – A Boneca e a Futura Mamãe
A mulher sentia dor no braço, tanta dor que a impedia de trabalhar.
Era mais uma funcionária estadual, na lista das pessoas ausentes de sua atividade de servidor público que amplia e intensifica a baixa qualidade dos serviços prestados aos contribuintes, sempre bem cobrados e mal servidos. E o estribilho é fortalecido: “Impostos cada vez mais cobrados e serviços de educação e saúde e… mal prestados.”
Depois de avaliar sua história de vida, fundamentada na “Tabela Familiar” e na análise de experiências de fracasso e de sucessos, proponho à minha sócia em Orientação Parapsicológica, realizarmos um exercício de Cura Instantânea pela Organização mental.
Durante o exercício o que traz a lembrança de “braço doído” e muita tristeza é a lembrança da “boneca sem braço, no lixo”…
Na seqüência do exercício o constato ser seu boneco de plástico que ganhou de Natal… Alguém havia pisado nele; e, o plástico barato rompeu-se todo e só servia pra lixo. Doída e chorosa viu o boneco-lixo para os outros ir embora para nunca mais…
O pai, sempre atencioso, deu-lhe outro igualzinho; contudo a dor e a tristeza permaneceram nela, dos cinco anos aos 37 anos…
Muitas análises poderiam ser feitas. Também expor o roteiro da compreensão que lhe devolveu o braço sem dor. Também a descoberta de sua competência e a constatação de que era mais amada do que sabia…
Todavia, o que interessa, neste momento é destacar o amor da menina por seu filhinho, o boneco de plástico e, seu negrinho.
Ela, a menina branca, com seu brinquedo infantil estava fortalecendo seu papel de mãe, dispensando preconceitos raciais e valorizando a vida e seus irmãos da espécie humana.
Quanto mais nossas meninas brincarem de mamãe, menos violência haverá, tanto nas famílias, quanto nas ruas e nas escolas…
É bom pensar nisso, ao menos as pessoas que ainda têm cabeça de gente e não apenas programas automáticos de robôs…

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